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Tempero de Vó
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  • Com história

O tempero de vó, com medida certa e história

Receitas brasileiras, do arroz com feijão ao bolo de fubá, em gramas e passos numerados, com a história de cada prato e o jeito de cada região.

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Épocas da história

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Novas no caderno

As receitas publicadas por último, cada uma com a sua história e as medidas em gramas.

O caderno está sendo escrito

As primeiras receitas estão em revisão e logo aparecem aqui. Enquanto isso, veja mais abaixo como a cozinha brasileira se formou.

Categorias

Do arroz com feijão ao doce de tacho

Oito seções, como as abas de um caderno de receitas: do almoço da semana ao salgado da festa de aniversário e ao bolo do café da tarde.

  • Comida de todo dia
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Em cada receita

Escrito para você cozinhar sem adivinhar

  • A história do prato

    Toda receita conta de onde o prato vem, como ganhou o nome e como mudou com o tempo, separando o que tem documento do que é tradição contada.

  • Gramas e mililitros

    As quantidades vêm em gramas e mililitros, com a colher de sopa ou de chá entre parênteses, para a receita não depender do tamanho da sua xícara.

  • Ingredientes e passos para marcar

    Marque o que já separou e cada passo concluído; a marcação fica no seu navegador. O modo cozinha mantém a tela acesa enquanto a panela está no fogo.

  • Porções sob medida

    Mude o número de porções e as quantidades se ajustam sozinhas. Se preferir papel, a receita sai limpa na impressão.

  • Região e substitutos

    Cada prato traz a região de origem e o jeito dos vizinhos, além de substitutos para quem cozinha fora do Brasil e não acha polvilho, fubá ou carne seca.

  • Glossário, nível e calorias

    Um pequeno glossário explica termos como refogar e ponto de fio, e cada receita indica a dificuldade e uma estimativa de calorias por porção.

Regiões

Do tucupi do Pará ao fogo de chão gaúcho

O mesmo prato muda de nome, de tempero e de panela de um estado para outro: a macaxeira do Nordeste é a mandioca de São Paulo e o aipim do Rio. Cada receita diz de onde vem e como os vizinhos a fazem.

  • Norte e Amazônia

    No Pará, a mandioca dá o tucupi, a goma e a farinha d’água, e o jambu, que deixa a boca formigando, entra no tacacá e no pato no tucupi. No Amazonas, peixes de rio como o tambaqui e o pirarucu vão para a brasa ou para a caldeirada, quase sempre com farinha ao lado.

  • Nordeste

    No Ceará e no sertão, o baião de dois junta arroz, feijão-de-corda, carne seca e queijo coalho numa só panela, e a carne de sol chega à mesa com macaxeira e manteiga de garrafa. O cuscuz de milho do café da manhã e o bolo de rolo pernambucano, enrolado em camadas finas com goiabada, mostram o lado diário e o lado doce da região.

  • Bahia

    Salvador e o Recôncavo cozinham com azeite de dendê, leite de coco, camarão seco e pimenta, e daí vêm a moqueca baiana, o vatapá, o caruru e o bobó de camarão. O acarajé, bolinho de feijão-fradinho frito no dendê, sai quente dos tabuleiros das baianas e é aberto ao meio para receber vatapá, caruru e camarão.

  • Centro-Oeste

    Em Goiás, o pequi perfuma o arroz e a galinhada, e no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul os peixes do Pantanal, como o pintado e o pacu, vão para a brasa ou para o caldo. O arroz Maria Isabel, com carne seca picada, e a sopa paraguaia, que na verdade é um bolo salgado de milho e queijo, mostram como a região mistura roça, rio e fronteira.

  • Minas Gerais

    A cozinha mineira cresceu em volta do fogão a lenha: frango com quiabo e angu, couve cortada fininha, feijão tropeiro com carne seca e pão de queijo de polvilho com queijo curado. Na hora do café entram as quitandas, como a broa de fubá, o biscoito de polvilho e a rosca, e de sobremesa vem doce de leite ou goiabada com queijo minas.

  • Rio de Janeiro e Espírito Santo

    No Espírito Santo, a moqueca capixaba leva urucum e azeite de oliva, sem dendê nem leite de coco, e vai à mesa na panela de barro preta feita pelas paneleiras de Goiabeiras, em Vitória. No Rio, o dia a dia tem picadinho com farofa e ovo, bolinho de bacalhau e o arroz com feijão que acompanha quase tudo.

  • São Paulo

    Da cozinha caipira vem o cuscuz paulista, moldado com farinha de milho, sardinha, palmito e ovo, que, conta-se, nasceu como comida de viagem. Na capital, a imigração deixou a esfiha e o quibe sírio-libaneses, a massa de domingo das famílias italianas, as hortas das famílias japonesas e o pastel frito na hora nas feiras de rua.

  • Sul

    No Rio Grande do Sul, o churrasco de boi em fogo de chão e o arroz carreteiro com charque vêm da lida no campo, e o galeto com polenta e a cuca chegaram com as colônias italianas e alemãs. No litoral do Paraná, o barreado é carne bovina cozida por horas em panela de barro lacrada com massa de farinha, e em Santa Catarina o peixe com pirão lembra os colonos açorianos.

História

Da mandioca ao pastel de feira

A comida brasileira é feita de encontros. A mandioca e o milho vêm das roças indígenas; o açúcar, o gado e o arroz, dos portugueses; o dendê, o quiabo e o feijão-fradinho chegaram com os africanos escravizados; depois vieram a massa italiana, a esfiha síria e libanesa e as hortas japonesas.

Abaixo, essa história vai resumida em seis épocas. Cada receita do site retoma o pedaço que lhe cabe, e quando a origem de um prato é incerta, a gente diz que é incerta.

  1. Antes de 1500

    Mandioca, beiju e tucupi

    Muito antes da chegada dos portugueses, os povos indígenas já cultivavam a mandioca e sabiam tornar comestível até a variedade brava, venenosa quando crua. A raiz era ralada, a massa espremida no tipiti, um cesto comprido de palha trançada, e depois torrada em grandes chapas de barro. Desse trabalho saíam a farinha, o beiju e a goma, além do tucupi, o caldo amarelo que precisa ferver por muito tempo antes de ir à mesa.

    As roças tinham também milho, amendoim, abóbora, feijões e pimentas, e a mata dava caju, açaí e castanhas. Peixes e carnes de caça eram assados devagar no moquém, uma grelha de varas armada sobre o fogo. Já a palavra moqueca tem origem discutida: há quem a ligue ao tupi e há quem a derive do quimbundo, língua de Angola.

  2. Séculos XVI e XVII

    O engenho e a doçaria portuguesa

    Os portugueses trouxeram gado, galinhas, arroz, cebola, alho, coentro e a cana-de-açúcar, que logo encheu de engenhos o litoral de Pernambuco e da Bahia. O trigo custou a se adaptar ao clima, e a farinha de mandioca, aprendida com os indígenas, virou o alimento de todo dia na colônia; cronistas da época a chamavam de “pão da terra”.

    Com açúcar à vontade, a doçaria portuguesa de gemas, amêndoas e calda encontrou aqui o coco e as frutas nativas. O quindim é parente dos doces de gema lusitanos, com coco no lugar da amêndoa, e o nome, ao que tudo indica, tem origem africana. A goiabada e a cocada nasceram do mesmo tacho de cobre e da mesma paciência com o ponto da calda.

  3. Séculos XVI a XIX

    Cozinheiras africanas e o azeite de dendê

    Durante mais de três séculos, milhões de africanos foram trazidos à força para o Brasil e escravizados. Foram sobretudo essas mulheres e esses homens que cozinharam nas casas-grandes, nas cidades e nos quilombos, e foi pelo trabalho e pelo saber deles que o azeite de dendê, o quiabo e o feijão-fradinho ganharam lugar fixo na panela brasileira.

    Na Bahia, essa cozinha guardou palavras de origem iorubá, como acarajé. Mulheres escravizadas e libertas vendiam quitutes em tabuleiros pelas ruas de Salvador, e há registros de que algumas juntavam assim o dinheiro da alforria. A abolição só chegou em 1888; o tabuleiro ficou, e hoje o ofício das baianas de acarajé é registrado como patrimônio cultural do Brasil.

  4. Século XVIII

    O ouro de Minas e as quitandas

    Quando se descobriu ouro em Minas Gerais, no fim do século XVII, gente de toda parte correu para as serras, e nos primeiros anos faltou comida nas lavras. O abastecimento passou a depender das tropas de mulas, que percorriam semanas de caminho levando feijão, farinha, carne seca, sal e açúcar. Diz a tradição que a vida dessas viagens deu origem ao feijão tropeiro, misturado com farinha para aguentar dias de estrada.

    Nas vilas do ouro, como Vila Rica, hoje Ouro Preto, o milho virou fubá, angu e broa, e a mandioca virou polvilho. Quitanda, palavra de origem quimbunda que nomeava a venda de rua, passou a designar em Minas os bolos, biscoitos, roscas e pães servidos com café. O pão de queijo pertence a essa tradição, mas não se sabe ao certo quando ganhou a forma de hoje.

  5. 1808 e século XIX

    A corte no Rio e os primeiros livros de cozinha

    Em 1808, a corte portuguesa se mudou para o Rio de Janeiro, fugindo das tropas de Napoleão. Com ela chegaram cozinheiros, louças e costumes de mesa, e a abertura dos portos trouxe mais farinha de trigo, queijos, chás e conservas importadas. A cidade ganhou padarias, confeitarias e casas de pasto, e o pão de trigo começou a disputar espaço com a farinha de mandioca.

    Em 1840 saiu o Cozinheiro Imperial, tido como o primeiro livro de receitas impresso no Brasil, ainda muito preso às cozinhas portuguesa e francesa. Na segunda metade do século, o Cozinheiro Nacional, de autor desconhecido, buscou uma cozinha mais brasileira, com ingredientes da terra. Enquanto isso, o café se espalhava pelo Vale do Paraíba e pelo interior paulista e passava a acompanhar o bolo e o pão da tarde.

  6. Do fim do século XIX a hoje

    Imigrantes, feiras e a mesa de agora

    A grande imigração, entre o fim do século XIX e as primeiras décadas do XX, trouxe italianos, espanhóis, alemães, sírios e libaneses, e em 1908 o navio Kasato Maru chegou a Santos com os primeiros imigrantes japoneses, contratados para as fazendas de café. Os italianos firmaram a massa de domingo e a polenta; os alemães, a cuca; os sírio-libaneses, a esfiha, o quibe e a coalhada; as famílias japonesas ampliaram as hortas em volta das cidades.

    No século XX, quem migrou do Nordeste para o Sudeste levou o baião de dois, o cuscuz e a tapioca, e as feiras livres fizeram do pastel frito na hora um costume urbano. Hoje, tucupi, jambu e pequi aparecem em cozinhas do país inteiro, e brasileiros que moram fora procuram substitutos para o polvilho e o fubá. Este caderno também é escrito para eles.

Muito do que se sabe sobre essa cozinha passou de boca em boca e de caderno em caderno, sem data nem assinatura. Por isso, em cada receita, a gente separa o que está documentado do que é tradição contada.

Dúvidas

Perguntas sobre o site

Quem está por trás do Tempero de Vó?

O site faz parte do mygrannysquare.com, um projeto de crochê que mantém cozinhas em várias línguas. As receitas são escritas com cuidado, revisadas antes de publicar e corrigidas quando alguém aponta um erro. A vó do nome é uma ideia, o jeito das avós de cozinhar, e não uma pessoa que assina as receitas.

Por que as quantidades vêm em gramas?

Porque xícaras e colheres mudam de tamanho de uma casa para outra, e a balança não. Quando ajuda, a medida em colher de sopa ou de chá aparece entre parênteses. Uma balança de cozinha simples resolve quase tudo.

Moro fora do Brasil. Vou encontrar os ingredientes?

Cada receita sugere substitutos para quem cozinha longe. O polvilho doce costuma ser vendido como tapioca starch, o fubá pode virar polenta fina e o queijo minas pode dar lugar a um queijo fresco e firme. Farinha de mandioca e azeite de dendê aparecem com frequência em mercados latinos, africanos e asiáticos.

Dá para imprimir ou guardar uma receita?

Dá. O botão de imprimir prepara a receita para o papel, e o botão do Pinterest salva a foto e o link numa pasta sua. Não há vídeos nem arquivos para baixar: tudo o que importa está escrito na própria página.

As calorias são exatas?

São uma estimativa por porção, calculada a partir dos ingredientes e do rendimento. Servem de referência para a cozinha de casa, não como cálculo nutricional. Para dietas e restrições, procure um médico ou um nutricionista.

Achei um erro numa receita. O que faço?

Escreva para hello@mygrannysquare.com dizendo qual é a receita e o que não confere: uma quantidade, um tempo de forno, uma data. A gente revisa e corrige a página. Se a dúvida for de história e você tiver uma fonte, mande junto.

Sobre

Um caderno de receitas no espírito das avós

O Tempero de Vó é a cozinha em português do mygrannysquare.com, que também tem receitas em romeno, polonês e espanhol. O nome vem de uma expressão brasileira para o toque de casa: o alho dourando no óleo, o arroz com feijão de todo dia, o caderno escrito à mão e guardado na gaveta da cozinha.

A vó do nome não é uma pessoa real; é o modo das avós de cozinhar e anotar. O que a gente acrescenta é precisão: gramas e mililitros, passos numerados, a história de cada prato e substitutos para quem cozinha longe do Brasil.

Sobre o Tempero de Vó

  • Medida

    Quantidades que fecham

    Antes de publicar, cada receita é revisada para que ingredientes, tempos e rendimento combinem entre si.

  • História

    Fato separado de lenda

    Datas e nomes só entram quando são bem estabelecidos; o que é tradição oral aparece marcado como tal.

  • Correção

    Erro apontado, página corrigida

    Quando um leitor encontra um problema numa receita, a gente confere e corrige o texto.

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